2019-06-23

A Origem dos Porcos


ABSINTO VIII

EM CERTA Cidade havia um costume, e um rito fora estabelecido desde o tempo ancestral;
2 o qual fazia-se em certos dias e horas, obedecendo a um complexo e intrincado calendário astrológico.
3 Os numerosos pontos de luz do céu lhes guiavam nos ritos, e a colheita dos frutos da terra seguia sua orientação.
4 E eles se prostravam diante do sol, da lua e de todo o exército do céu, e lhes ofereciam libações, e faziam-lhes bolos de frutas.
5 Houve uma cidade na qual faziam cousas bárbaras, das quais até o nominá-las é torpe.
6 Houve uma cidade na qual corriam soltos o folguedo e o bacanal.
7 Houve uma cidade, entregue aos bacanais, nos quais até os seus concidadãos com as bestas do campo se deitavam;
8 e em prosseguir, e em muito se entregar às paixões infames, de entre eles surgiam quimeras.
9 Destes folguedos foi a origem, segundo se diz, e o nascedouro das criaturas da noite.
10 Serpentes sábias da terra, e homens répteis de inigualável destreza e força.
11 Centauros e minotauros juntamente pastavam com os vitelos dos da semente da mulher.
12 Sereias e tritões, dos quais um tal Dagom fora trazido à Filístia;
13 ogros e faunos, silfos e os seres da floresta escura; morcegos e lobisomens, como também os duendes e os demônios encarnados;
14 gigantes e ciclopes, titãs e heróis das guerras; sátiros e bacantes, sendo aqueles, meio humano e com os pés de bode;
15 e, por fim, alguns dos que até hoje subsistem, como os que derivaram dos ajuntamentos dos filhos dos homens com o javali selvagem.
16 Estes, os que alguns dentre nós conhecem pela alcunha de porcos.
17 Sabemos, não sem razão, da rejeição da parte dos do povo recolhido de entre os povos, de tê-los como alimento;
18 rejeitando-o como tal por força de lei, e por mandamento de seus ancestrais.
19 Notamo-los incomuns, comparados às demais espécies que nos servem de comida.
20 Bois e cabritos, e o veado campeiro: estes possuem pêlos, os quais protegem-nos do frio; sendo estes ruminantes, têm seu casco fendido em dois.
21 Galináceos cobertos de penas, e os peixes cobertos de escamas e com barbatanas.
22 Não é, pois, de se admirar que os porcos se pareçam com humanos, ou, mais detidamente, que alguns dentre estes muito se assemelhem a aqueles.
23 Rejeitai-os, portanto, como alimento, para que certas pragas se lhes não peguem em vós,
24 por que razão, pois, sofreríeis dano durável e voluntário em favor de uma satisfação efêmera, que logo passa?

2019-06-20

Poderes da Mente e Tipos de Futuros


Há vários filmes e produções por aí que mostram como seria um futuro no qual os seres humanos possuíssem poderes da mente, ou paranormais, ou espers.Há vários animes sobre. 

Dois deles eu acompanhei pessoalmente:

To aru majutsu no index (I, II, III) - Mostra-nos uma visão em que espers, magia e muita tecnologia parecem "conviver" no mesmo mundo. Obviamente, há brigas, e é em torno de algumas dessas batalhas que gira o enredo, em torno de um rapaz azarado chamado Touma Kamijou (Kamijou em japonês quer dizer "superior a deus"). Ele tem um "poder" que traz muita má sorte mas que também nega magias e esperismo. Dá pra ver isso nas brigas épicas, tanto com Mikasa, Kanzaki, Accelerator (temporada I) quanto com Agnese Sanctis e a Lidvia Lorenzetti (temporara II). Lá pela terceira temporada tem uma guerra mundial que acaba... não, vejam vocês mesmos!

Shin Sekai Yori parece ter uma visão mais pessimista, em que há várias reviravoltas no mundo (contadas em resumo) e depois a história se passa num futuro bem distante em que há poucos humanos, um estranho sistema de governo e umas espécies estranhas de animais. O governo estranho parece ser uns tipos de sovietes, ao estilo orwelliano, só que sem a bandeira vermelha nem os cartazes de OBEY ou WATCHING YOU. Um governo com uma aparência beeeeeem mais suave e mais suavizada ainda, em que os dissidentes simplesmente desaparecem como mágica, sem deixar vestígio, nem nas memórias do pessoal.

Bem, estes parecem (a mim, é claro) serem planos da Elite, e em ambas há muita mortandade e redução populacional, como tinha de ser, para fazer cumprir o prometido nas Pedras Guias da Geórgia.

Ah... sobre "poderes da mente" (tem três ramos, um dos quais não é do mesmo tipo de Toaru Majutsu nem de Shin Sekai) encontrei algo interessante no canal Humerto Volts, lá no Youtube. Links abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=aYV4pcT6K4Y

https://www.youtube.com/watch?v=TOc57Oym-4A

2019-06-17

O Servo de YAHU


ABSINTO VII

EIS O MEU SERVO a quem escolhi, dentre os teus, ó povo meu; eis o meu instrumento de juízo e de justiça.
2 Ele há de realizar sobre esta terra a minha vontade; e o meu decreto por sua mão se fará.
3 Ele será o capitão de seu povo, e aqueles que com ele comungam do mesmo propósito o acolherão, e ser-lhes-á grande lider.
4 Ele será um dos que há de preparar para a mulher perseguida uma morada; e para a noiva, um alto refúgio estará por entre suas montanhas;
5 onde meus servos repousarão por uma pouca de tempo; sim, por um tempo, por tempos e por metade de um tempo;
6 um lugar seguro e longe, na periferia do mundo, onde os guardarei da ira do dragão.
7 E nenhum de entre os ingratos entenderá, mas os sábios entenderão; e os escolhidos não serão enganados.
8 Assim como Moisés, meu servo, o qual foi instrumento de minha misericórdia para com meus eleitos, ainda que eles não merecessem.
9 Forte como Kelev, e corajoso como Josué, e um homem segundo o meu coração, como David.
10 Sua mulher é uma das que são minhas servas, pois que por ele intercederá dia e noite.
11 Dias hão de vir, e quem olhar se espantará.
12 Preparado está um tempo de purificação no meio do meu povo, dos quais o joio será arrancado e o trigo permanecerá: quem lê, entenda!
13 Os carros estarão empilhados, revirados, capotados pelas ruas; os vagões de carga cessarão o seu labor.
14 Haverá cerco na cidade do planalto; na planeza da terra isto se fará; e os corrutos dentre os anciãos e maiorais sobre o povo serão arrancados.
15 Haverá morte e grave cerco; e os corrutos quererão apoderar-se do despojo, e tomar ao seu povo como presa; e muitos de entre os soldados do teu povo se revoltarão.
16 Eis que o dia de trevas se aproxima; o dia do vale da sombra da morte, preparado pelas hostes do maligno;
17 pois eles não quererão deixar meu povo em paz; e com lisonjas enlaçarão a muitos, até que a medida de sua iniqüidade seja completada.
18 Sangue, suor e lágrimas misturar-se-ão nas tuas ruas, ó cidade do planalto, berço de toda iniqüidade e leito imundo das fornicações!
19 Posto que os maiorais do povo não trabalham senão para seu próprio ventre; e os prazeres da cama e da mesa são os seus senhores;
20 pois alugam a mulheres, e até a meninas dentre o meu povo, para deitar-se com elas, para me provocarem à ira.
21 E deleitam-se com os caviares, e com as lagostas, e com animais imundos, servindo-se deles como finas iguarias;
22 Vede que é isto o que fazem às custas da labuta de meu povo, e das pesada carga que lhe impuseram sobre os ombros dos pobres da terra.
23 Assim fazendo, cometem torpezas; recebam, pois, cada um deles a condenação pelos seus erros; e que cada um leve sobre a cabeça a sua própria iniqüidade.

2019-06-09

Criaturas do Submundo


ABSINTO VI

E POR AQUELES DIAS vieram sobre a terra espantos, feras bersercais que entraram pelas roturas e fendas que se fizeram na cúpula.
2 Estas feras eram duma aparência sombria, de tal forma que metiam medo.
3 Criaturas das noites ancestrais e de tempos remotos, posto que os alicerces do inferno tremeram.
4 Criaturas dos reinos da morte, libertadas de mundos vizinhos, vieram à terra, famintos de carne e sedentos de sangue.
5 O seu aspecto eram o dos ogros e dos faunos, e de sátiros, e de bestas chifrudas das que se contam nos mitos antigos e nas estórias fantásticas.
6 Uns tinham cabeça como de sapo, e língua comprida com a qual capturavam a presa.
7 Uns eram como cavalos, dentre os quais havia sagitários; e outros, como insetos invulgarmente grandes.
8 Uns tinham dentes como os de ratos, como os dos grandes roedores.
9 Uns eram como os faunos e demônios da terra e do submundo; ao passo que outros, passando como homens, eram da linha dos psicopatas.
10 E havia também os serpentes e os cobras, aparência de répteis e de basiliscos.
11 Havia também um vulto de aspecto esguio, semelhante a uma menina, como das bacantes que ao Baco cirandavam.
12 Esta tinha orelhas pontudas; e as extremidades de suas orelhas eram afuniladas como as pontas duma cartolina, e voltavam-se elas para os lados da garota.
13 E tinha vestes como as duma amazona, e um ouroboros enroscadiço às voltas de cada tornozelo.
14 Esta viera pela fenda sul do domo, a qual dá para as terras dalém da Antártida, pelo caminho da Patagônia.
15 Vitório, um pequeno agricultor, vira-na passar pelas terras de seu sítio, três dias após a queda das potências celestes;
16 vindo a caminho de uns pés de uvas que detinha em seu patrimônio, de uns cachos de uvas Crimsom que davam pé em seu sítio.
17 Como de costume, vendo que era sozinha e que por lá estava à primeira vez, deixou-a em paz;
posto que assim mesmo agia, quando os pobres e desamparados das terras por ali passavam.
18 E ela seguiu adiante pelo caminho, tendo consigo alguns dos cachos.
19 Ele e sua mulher viram-na por detrás das cortinas da janela da sala, duma cabana no sítio onde moravam.
20 E a figura esguia prosseguiu pelo verde e o caminho por entre as montanhas, na floresta onde melhor se sentia.
21 Tendo passado por uma cidade há quase dia e meio, lá vira ninguém, senão uns arruaceiros que se aproveitavam do caos;
22 não havendo polícia, exército ou forças de guarda suficientes; além disso, muitos destes, dos da polícia e exércitos, também haviam morrido por causa do cataclisma, e dos consequentes eventos.
23 E tendo-a importunado os arruaceiros, ela os enfrentou e os matou um a um, fria e implacável como uma máquina.
24 E não só os matou, como também serviu-se de algo das entranhas deles.
25 E saíra daquela cidade após andar dezenas de quilômetros; e então prosseguia pela floresta, pelas densas matas.
26 Encontrando um rio pelo meio da mata, saltou-o por entre as árvores; deparando-se com outro num campo aberto, derrubou uma das árvores da campina e usou-a de ponte.
27 E em certo lugar, abrigados da chuva de plasma, havia equipamentos e toda sorte de aparelhos informáticos;
28 e uma equipe de cientistas lá se encontrava; seis pessoas, as quais manejavam aqueles equipamentos.
29 E trabalhavam eles para uma empresa de tecnologia, e eram entendidos em tecnologia e em toda a informática.
30 Depois do cataclisma, repararam as antenas, repuseram as câmeras danificadas; quando o plasma teve fim, arriscaram-se nas penhas e nos rochedos em sua manutenção.
31 Eles não tinham conhecimento, e nem os seus chefes, e nem os supervisores, do que os diretores sabiam a respeito dos eventos recentes, e de tudo o que poderia acontecer dentro em breve.
32 Pois há certas coisas mantidas em segredo até o dia de hoje, as quais os donos do mundo buscam diligentemente ocultar das massas.
33 Desse modo, os informáticos e cientistas que no abrigo dos equipamentos estavam de nada sabiam acerca do estranho evento.
34 E eles estavam, para o azar de eles mesmos, na rota da figura esguia.
35 Foi então que, passando por aquelas bandas, sentiu ela uma estranha atividade magnética.
36 Esta provinha das antenas, bem como das várias câmeras a vigiar o local, para que o pessoal desempenhasse os seus estudos;
37 e tais equipamentos, quando ligados, emitem algum campo eletromagnético em volta de si.
38 Um dos membros daquela equipe de cientistas, monitorando os parâmetros do lugar, viu uma anormalidade e avisou; trouxe-a a um dos colegas o que acontecia, e juntos analisaram aquilo.
39 Os computadores, recebendo o sinal das antenas, distorcido pela presença da criatura, começaram a mostrar incongruências na análise;
40 o que o vendo os dois que ali trabalhavam, puseram-se a procurar pela causa, buscando pelas câmeras das redondeza, cujas imagens também começaram a distorcer-se.
41 Eles viram, então, em meio à distorção da imagem de um dos monitores, uma aparência como a de uma garota de costas, vestida bizarramente.
42 Questionavam-se o porquê de uma garota estar ali, talvez, fugida de uma das cidades em meio à catástrofe; e do porquê de estar vestida assim.
43 Ela resolvera passar adiante, ignorando aquela interferência, e pôs-se a andar por entre a penha, subindo a colina; e assim o fez.
44 E eles a perderam de vista, e ela desapareceu dos monitores das câmeras, saltando de uma penha a outra; e assim seguiu pelo seu caminho.

2019-06-01

Mako e Ariadne


Absinto V

MAL LANÇARA-SE à sua cama Ariadne em seu aposento decorado com leveza, falhara a energia elétrica.
2 Ela às escuras ficara; e o calor começara a incomodar-lhe.
3 Depois disto, ouvira grandes estalos, vindos de fora, como dum grandimenso vidro a trincar, por contato com um fogo.
4 Assaltada pela curiosidade, correra para a janela e vê:
5 a noite anda avermelhada, como se o vidro que recobre o céu estivesse incandescente, como quando um vidreiro trabalha.
6 Apenas que nem toda a extensão do céu se iluminara; apenas manchas vermelhas isoladas em meio à imensidão do profundo azul.
7 E Mako observara o mesmo, milhares de quilômetros dali: também lá se fizera noite, como em toda a terra.
8 Ela conhecia um rochedo, próximo de onde morava com os pais, e os seus lhe instavam a com eles se abrigar dos dias de ira.
9 Pois aquele era o dia, o ano e o mês, em que todas aquelas coisas haveriam de mister.
10 E para lá foram, para o seu alto refúgio que o pai, com não pouca dedicação, preparara-lhes desde o ano passado.
11 E Mako, com os seus, habitava numa zona rural, a cerca de uma hora de carro da cidade mais próxima.
12 Ariadne, porém, residia sozinha em Santos, no litoral, e não lhe havia ideia alguma do que acontecia.
13 Quando o chão foi sacudido com força e com violência, o mesmo se liquefez;
14 e então os prédios da vizinhança começaram, uns a tombar para algum lado, e outros simplesmente afundavam.
15 Vendo que a vista da janela parecia descer, percebeu a garota que aquele edifício descia rumo ao coração da terra;
16 pelo que, instintivamente, correu para a porta de entrada e, tomando da chave, saiu.
17 E havia um alarido e uma confusão de mentes; um alvoroço, pois, se fizera em meio aos moradores.
18 Ela, porém, ignorando o caos, tomou o rumo das escadas e subiu ao terraço; chegando, porém, ao tampo de madeira, estava este trancado.
19 Ela, todavia, não se desviou do intento: tomou de um ferro que encontrara pelo caminho, e com ele arrebentou o cadeado;
20 e subiu no telhado, o lugar das muitas antenas e das caixas d'água.
21 E então viu o céu a desabar por sobre a terra, e os pedaços da abóbada a cair sobre os prédios da vizinhança, sobre a cidades e sobre os lugares em redor;
22 No terraço, contudo, caíram alguns pedaços, porém ela não fora atingida.
23 Depois que o tremor cessou, o prédio parou de ser engolido; e muitos dos das cercanias estavam inclinados, como a torre de Pisa, na Itália.
24 E nas ruas reinava o caos; o pior, porém, ainda estava por vir.