2019-05-21

A Queda das Urbes


ABSINTO IV

A GRANDE CIDADE cujo nome era o de um santo, valente e justo, o qual por um tempo perseguira os eleitos, estava em ruínas.
2 Um fogo havia passado por ela; postes fumegavam, e as casas, e os edifícios;
3 Havia devastação ao norte e também ao sul; do nascente se estendiam os destroços, e até ao poente havia monturo.
4 E inúmeros corpos jaziam no asfalto, e dentro dos carros de metal retorcido;
5 Alguns cujo parecer de sua destruição causaria depressão e asco naqueles que os vissem; dos quais, a alguns destes, chamas ainda os consumiam e neles perduravam.
6 Seu aspecto era como o de corpos dos inimigos do tráfico; o odor de carnes de porco assado em brasas
campeava pelas ruas.
7 E alguns dos que restaram vivos em meio a escombros andavam sem rumo; aturdidos cambaleavam pelas ruas.
8 Os cães, furiosos como jaguatiricas, perambulavam pelas vias, alamedas, pelas calçadas;
9 mordiam a qualquer que se movesse, e assim quando ao menor barulho, e mesmo entre si.
10 O sol ainda não voltara; entretanto, uma luz morna do alto iluminava parcamente.
11 Não havia energia elétrica na cidade depois do cataclisma, do grande, na qual o fogo do céu lambera o cobre juntamente com o plástico e com os artefatos de suporte;
12 e, dos metais, uma parte se derretera, e outra parte se deteriorara.

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