2019-07-14

A queda das urbes: o escape de Ariadne


ABSINTO IX

BUSCAVA, pois, Ariadne, uma forma de escapar daquele caos; e intentava seguir para a floresta.
2 Estava no litoral, e o bramido do mar era de um aspecto sombrio, o prenúncio de uma catástrofe.
3 Horas depois do grande tremor, descera ela do prédio, depois de tomar para si mantimento.
4 E levava consigo uma mochila com o que podia, não com muitos pesos.
5 E, saindo às ruas, o caos por toda parte, e ruas eivadas de destroços.
6 No dia anterior deixara seu carro no estacionamento; assim, pois, para lá seguiu.
7 E o lugar estava abandonado, pois de todos que lá estiveram nenhum ficou.
8 Muitos dos veículos haviam sido atingidos, inclusive o dela próprio;
9 vendo, porém, que os danos não eram extensos a ponto de inutilizá-lo, removeu-os da caçamba da picape; e assim entrou e o acionou.
10 Buscava uma rota para sair da cidade; todavia, o dispositivo orientador não mais funcionava.
11 Seguiu por uma rota, como que por instinto, para afastar-se do litoral.
12 Teve de seguir pelas bordas da estrada, e mesmo por fora dela; por entre os destroços do caos.
13 Com muita dificuldade seguiu, até que lhe faltou combustível; vendo que não mais havia, tomou as bolsas e, largando mão do carro, seguiu para as montanhas.
14 Tomou o caminho de uma linha de trem que encontrou e por ela seguiu; e não havia trens a circular.
15 Seguiu por horas até encontrar um refúgio numa rocha, e por ali ficou.
16 E um homem de vestes brancas resplandecia por entre as paragens;
17 Pelo que, vendo ele a moça refugiada por entre as penhas, logo encobriu a sua glória; e, aproximando-se dela, notou que dormia.
18 Tocou-a, pois, à testa, aprofundando-lhe o sono, para que nem tão cedo despertasse.
19 E a carregou nos braços, bem como às bolsas, e a levou dali, por quase mil quilômetros.
20 E a trouxe a uma terra das montanhas, próximo da morada de Chednacia; e pô-la ao pé duma árvore, junto ao rochedo maior; e ali a deixou e se foi.

2019-06-23

A Origem dos Porcos


ABSINTO VIII

EM CERTA Cidade havia um costume, e um rito fora estabelecido desde o tempo ancestral;
2 o qual fazia-se em certos dias e horas, obedecendo a um complexo e intrincado calendário astrológico.
3 Os numerosos pontos de luz do céu lhes guiavam nos ritos, e a colheita dos frutos da terra seguia sua orientação.
4 E eles se prostravam diante do sol, da lua e de todo o exército do céu, e lhes ofereciam libações, e faziam-lhes bolos de frutas.
5 Houve uma cidade na qual faziam cousas bárbaras, das quais até o nominá-las é torpe.
6 Houve uma cidade na qual corriam soltos o folguedo e o bacanal.
7 Houve uma cidade, entregue aos bacanais, nos quais até os seus concidadãos com as bestas do campo se deitavam;
8 e em prosseguir, e em muito se entregar às paixões infames, de entre eles surgiam quimeras.
9 Destes folguedos foi a origem, segundo se diz, e o nascedouro das criaturas da noite.
10 Serpentes sábias da terra, e homens répteis de inigualável destreza e força.
11 Centauros e minotauros juntamente pastavam com os vitelos dos da semente da mulher.
12 Sereias e tritões, dos quais um tal Dagom fora trazido à Filístia;
13 ogros e faunos, silfos e os seres da floresta escura; morcegos e lobisomens, como também os duendes e os demônios encarnados;
14 gigantes e ciclopes, titãs e heróis das guerras; sátiros e bacantes, sendo aqueles, meio humano e com os pés de bode;
15 e, por fim, alguns dos que até hoje subsistem, como os que derivaram dos ajuntamentos dos filhos dos homens com o javali selvagem.
16 Estes, os que alguns dentre nós conhecem pela alcunha de porcos.
17 Sabemos, não sem razão, da rejeição da parte dos do povo recolhido de entre os povos, de tê-los como alimento;
18 rejeitando-o como tal por força de lei, e por mandamento de seus ancestrais.
19 Notamo-los incomuns, comparados às demais espécies que nos servem de comida.
20 Bois e cabritos, e o veado campeiro: estes possuem pêlos, os quais protegem-nos do frio; sendo estes ruminantes, têm seu casco fendido em dois.
21 Galináceos cobertos de penas, e os peixes cobertos de escamas e com barbatanas.
22 Não é, pois, de se admirar que os porcos se pareçam com humanos, ou, mais detidamente, que alguns dentre estes muito se assemelhem a aqueles.
23 Rejeitai-os, portanto, como alimento, para que certas pragas se lhes não peguem em vós,
24 por que razão, pois, sofreríeis dano durável e voluntário em favor de uma satisfação efêmera, que logo passa?

2019-06-20

Poderes da Mente e Tipos de Futuros


Há vários filmes e produções por aí que mostram como seria um futuro no qual os seres humanos possuíssem poderes da mente, ou paranormais, ou espers.Há vários animes sobre. 

Dois deles eu acompanhei pessoalmente:

To aru majutsu no index (I, II, III) - Mostra-nos uma visão em que espers, magia e muita tecnologia parecem "conviver" no mesmo mundo. Obviamente, há brigas, e é em torno de algumas dessas batalhas que gira o enredo, em torno de um rapaz azarado chamado Touma Kamijou (Kamijou em japonês quer dizer "superior a deus"). Ele tem um "poder" que traz muita má sorte mas que também nega magias e esperismo. Dá pra ver isso nas brigas épicas, tanto com Mikasa, Kanzaki, Accelerator (temporada I) quanto com Agnese Sanctis e a Lidvia Lorenzetti (temporara II). Lá pela terceira temporada tem uma guerra mundial que acaba... não, vejam vocês mesmos!

Shin Sekai Yori parece ter uma visão mais pessimista, em que há várias reviravoltas no mundo (contadas em resumo) e depois a história se passa num futuro bem distante em que há poucos humanos, um estranho sistema de governo e umas espécies estranhas de animais. O governo estranho parece ser uns tipos de sovietes, ao estilo orwelliano, só que sem a bandeira vermelha nem os cartazes de OBEY ou WATCHING YOU. Um governo com uma aparência beeeeeem mais suave e mais suavizada ainda, em que os dissidentes simplesmente desaparecem como mágica, sem deixar vestígio, nem nas memórias do pessoal.

Bem, estes parecem (a mim, é claro) serem planos da Elite, e em ambas há muita mortandade e redução populacional, como tinha de ser, para fazer cumprir o prometido nas Pedras Guias da Geórgia.

Ah... sobre "poderes da mente" (tem três ramos, um dos quais não é do mesmo tipo de Toaru Majutsu nem de Shin Sekai) encontrei algo interessante no canal Humerto Volts, lá no Youtube. Links abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=aYV4pcT6K4Y

https://www.youtube.com/watch?v=TOc57Oym-4A

2019-06-17

O Servo de YAHU


ABSINTO VII

EIS O MEU SERVO a quem escolhi, dentre os teus, ó povo meu; eis o meu instrumento de juízo e de justiça.
2 Ele há de realizar sobre esta terra a minha vontade; e o meu decreto por sua mão se fará.
3 Ele será o capitão de seu povo, e aqueles que com ele comungam do mesmo propósito o acolherão, e ser-lhes-á grande lider.
4 Ele será um dos que há de preparar para a mulher perseguida uma morada; e para a noiva, um alto refúgio estará por entre suas montanhas;
5 onde meus servos repousarão por uma pouca de tempo; sim, por um tempo, por tempos e por metade de um tempo;
6 um lugar seguro e longe, na periferia do mundo, onde os guardarei da ira do dragão.
7 E nenhum de entre os ingratos entenderá, mas os sábios entenderão; e os escolhidos não serão enganados.
8 Assim como Moisés, meu servo, o qual foi instrumento de minha misericórdia para com meus eleitos, ainda que eles não merecessem.
9 Forte como Kelev, e corajoso como Josué, e um homem segundo o meu coração, como David.
10 Sua mulher é uma das que são minhas servas, pois que por ele intercederá dia e noite.
11 Dias hão de vir, e quem olhar se espantará.
12 Preparado está um tempo de purificação no meio do meu povo, dos quais o joio será arrancado e o trigo permanecerá: quem lê, entenda!
13 Os carros estarão empilhados, revirados, capotados pelas ruas; os vagões de carga cessarão o seu labor.
14 Haverá cerco na cidade do planalto; na planeza da terra isto se fará; e os corrutos dentre os anciãos e maiorais sobre o povo serão arrancados.
15 Haverá morte e grave cerco; e os corrutos quererão apoderar-se do despojo, e tomar ao seu povo como presa; e muitos de entre os soldados do teu povo se revoltarão.
16 Eis que o dia de trevas se aproxima; o dia do vale da sombra da morte, preparado pelas hostes do maligno;
17 pois eles não quererão deixar meu povo em paz; e com lisonjas enlaçarão a muitos, até que a medida de sua iniqüidade seja completada.
18 Sangue, suor e lágrimas misturar-se-ão nas tuas ruas, ó cidade do planalto, berço de toda iniqüidade e leito imundo das fornicações!
19 Posto que os maiorais do povo não trabalham senão para seu próprio ventre; e os prazeres da cama e da mesa são os seus senhores;
20 pois alugam a mulheres, e até a meninas dentre o meu povo, para deitar-se com elas, para me provocarem à ira.
21 E deleitam-se com os caviares, e com as lagostas, e com animais imundos, servindo-se deles como finas iguarias;
22 Vede que é isto o que fazem às custas da labuta de meu povo, e das pesada carga que lhe impuseram sobre os ombros dos pobres da terra.
23 Assim fazendo, cometem torpezas; recebam, pois, cada um deles a condenação pelos seus erros; e que cada um leve sobre a cabeça a sua própria iniqüidade.

2019-06-09

Criaturas do Submundo


ABSINTO VI

E POR AQUELES DIAS vieram sobre a terra espantos, feras bersercais que entraram pelas roturas e fendas que se fizeram na cúpula.
2 Estas feras eram duma aparência sombria, de tal forma que metiam medo.
3 Criaturas das noites ancestrais e de tempos remotos, posto que os alicerces do inferno tremeram.
4 Criaturas dos reinos da morte, libertadas de mundos vizinhos, vieram à terra, famintos de carne e sedentos de sangue.
5 O seu aspecto eram o dos ogros e dos faunos, e de sátiros, e de bestas chifrudas das que se contam nos mitos antigos e nas estórias fantásticas.
6 Uns tinham cabeça como de sapo, e língua comprida com a qual capturavam a presa.
7 Uns eram como cavalos, dentre os quais havia sagitários; e outros, como insetos invulgarmente grandes.
8 Uns tinham dentes como os de ratos, como os dos grandes roedores.
9 Uns eram como os faunos e demônios da terra e do submundo; ao passo que outros, passando como homens, eram da linha dos psicopatas.
10 E havia também os serpentes e os cobras, aparência de répteis e de basiliscos.
11 Havia também um vulto de aspecto esguio, semelhante a uma menina, como das bacantes que ao Baco cirandavam.
12 Esta tinha orelhas pontudas; e as extremidades de suas orelhas eram afuniladas como as pontas duma cartolina, e voltavam-se elas para os lados da garota.
13 E tinha vestes como as duma amazona, e um ouroboros enroscadiço às voltas de cada tornozelo.
14 Esta viera pela fenda sul do domo, a qual dá para as terras dalém da Antártida, pelo caminho da Patagônia.
15 Vitório, um pequeno agricultor, vira-na passar pelas terras de seu sítio, três dias após a queda das potências celestes;
16 vindo a caminho de uns pés de uvas que detinha em seu patrimônio, de uns cachos de uvas Crimsom que davam pé em seu sítio.
17 Como de costume, vendo que era sozinha e que por lá estava à primeira vez, deixou-a em paz;
posto que assim mesmo agia, quando os pobres e desamparados das terras por ali passavam.
18 E ela seguiu adiante pelo caminho, tendo consigo alguns dos cachos.
19 Ele e sua mulher viram-na por detrás das cortinas da janela da sala, duma cabana no sítio onde moravam.
20 E a figura esguia prosseguiu pelo verde e o caminho por entre as montanhas, na floresta onde melhor se sentia.
21 Tendo passado por uma cidade há quase dia e meio, lá vira ninguém, senão uns arruaceiros que se aproveitavam do caos;
22 não havendo polícia, exército ou forças de guarda suficientes; além disso, muitos destes, dos da polícia e exércitos, também haviam morrido por causa do cataclisma, e dos consequentes eventos.
23 E tendo-a importunado os arruaceiros, ela os enfrentou e os matou um a um, fria e implacável como uma máquina.
24 E não só os matou, como também serviu-se de algo das entranhas deles.
25 E saíra daquela cidade após andar dezenas de quilômetros; e então prosseguia pela floresta, pelas densas matas.
26 Encontrando um rio pelo meio da mata, saltou-o por entre as árvores; deparando-se com outro num campo aberto, derrubou uma das árvores da campina e usou-a de ponte.
27 E em certo lugar, abrigados da chuva de plasma, havia equipamentos e toda sorte de aparelhos informáticos;
28 e uma equipe de cientistas lá se encontrava; seis pessoas, as quais manejavam aqueles equipamentos.
29 E trabalhavam eles para uma empresa de tecnologia, e eram entendidos em tecnologia e em toda a informática.
30 Depois do cataclisma, repararam as antenas, repuseram as câmeras danificadas; quando o plasma teve fim, arriscaram-se nas penhas e nos rochedos em sua manutenção.
31 Eles não tinham conhecimento, e nem os seus chefes, e nem os supervisores, do que os diretores sabiam a respeito dos eventos recentes, e de tudo o que poderia acontecer dentro em breve.
32 Pois há certas coisas mantidas em segredo até o dia de hoje, as quais os donos do mundo buscam diligentemente ocultar das massas.
33 Desse modo, os informáticos e cientistas que no abrigo dos equipamentos estavam de nada sabiam acerca do estranho evento.
34 E eles estavam, para o azar de eles mesmos, na rota da figura esguia.
35 Foi então que, passando por aquelas bandas, sentiu ela uma estranha atividade magnética.
36 Esta provinha das antenas, bem como das várias câmeras a vigiar o local, para que o pessoal desempenhasse os seus estudos;
37 e tais equipamentos, quando ligados, emitem algum campo eletromagnético em volta de si.
38 Um dos membros daquela equipe de cientistas, monitorando os parâmetros do lugar, viu uma anormalidade e avisou; trouxe-a a um dos colegas o que acontecia, e juntos analisaram aquilo.
39 Os computadores, recebendo o sinal das antenas, distorcido pela presença da criatura, começaram a mostrar incongruências na análise;
40 o que o vendo os dois que ali trabalhavam, puseram-se a procurar pela causa, buscando pelas câmeras das redondeza, cujas imagens também começaram a distorcer-se.
41 Eles viram, então, em meio à distorção da imagem de um dos monitores, uma aparência como a de uma garota de costas, vestida bizarramente.
42 Questionavam-se o porquê de uma garota estar ali, talvez, fugida de uma das cidades em meio à catástrofe; e do porquê de estar vestida assim.
43 Ela resolvera passar adiante, ignorando aquela interferência, e pôs-se a andar por entre a penha, subindo a colina; e assim o fez.
44 E eles a perderam de vista, e ela desapareceu dos monitores das câmeras, saltando de uma penha a outra; e assim seguiu pelo seu caminho.

2019-06-01

Mako e Ariadne


Absinto V

MAL LANÇARA-SE à sua cama Ariadne em seu aposento decorado com leveza, falhara a energia elétrica.
2 Ela às escuras ficara; e o calor começara a incomodar-lhe.
3 Depois disto, ouvira grandes estalos, vindos de fora, como dum grandimenso vidro a trincar, por contato com um fogo.
4 Assaltada pela curiosidade, correra para a janela e vê:
5 a noite anda avermelhada, como se o vidro que recobre o céu estivesse incandescente, como quando um vidreiro trabalha.
6 Apenas que nem toda a extensão do céu se iluminara; apenas manchas vermelhas isoladas em meio à imensidão do profundo azul.
7 E Mako observara o mesmo, milhares de quilômetros dali: também lá se fizera noite, como em toda a terra.
8 Ela conhecia um rochedo, próximo de onde morava com os pais, e os seus lhe instavam a com eles se abrigar dos dias de ira.
9 Pois aquele era o dia, o ano e o mês, em que todas aquelas coisas haveriam de mister.
10 E para lá foram, para o seu alto refúgio que o pai, com não pouca dedicação, preparara-lhes desde o ano passado.
11 E Mako, com os seus, habitava numa zona rural, a cerca de uma hora de carro da cidade mais próxima.
12 Ariadne, porém, residia sozinha em Santos, no litoral, e não lhe havia ideia alguma do que acontecia.
13 Quando o chão foi sacudido com força e com violência, o mesmo se liquefez;
14 e então os prédios da vizinhança começaram, uns a tombar para algum lado, e outros simplesmente afundavam.
15 Vendo que a vista da janela parecia descer, percebeu a garota que aquele edifício descia rumo ao coração da terra;
16 pelo que, instintivamente, correu para a porta de entrada e, tomando da chave, saiu.
17 E havia um alarido e uma confusão de mentes; um alvoroço, pois, se fizera em meio aos moradores.
18 Ela, porém, ignorando o caos, tomou o rumo das escadas e subiu ao terraço; chegando, porém, ao tampo de madeira, estava este trancado.
19 Ela, todavia, não se desviou do intento: tomou de um ferro que encontrara pelo caminho, e com ele arrebentou o cadeado;
20 e subiu no telhado, o lugar das muitas antenas e das caixas d'água.
21 E então viu o céu a desabar por sobre a terra, e os pedaços da abóbada a cair sobre os prédios da vizinhança, sobre a cidades e sobre os lugares em redor;
22 No terraço, contudo, caíram alguns pedaços, porém ela não fora atingida.
23 Depois que o tremor cessou, o prédio parou de ser engolido; e muitos dos das cercanias estavam inclinados, como a torre de Pisa, na Itália.
24 E nas ruas reinava o caos; o pior, porém, ainda estava por vir.

2019-05-21

A Queda das Urbes


ABSINTO IV

A GRANDE CIDADE cujo nome era o de um santo, valente e justo, o qual por um tempo perseguira os eleitos, estava em ruínas.
2 Um fogo havia passado por ela; postes fumegavam, e as casas, e os edifícios;
3 Havia devastação ao norte e também ao sul; do nascente se estendiam os destroços, e até ao poente havia monturo.
4 E inúmeros corpos jaziam no asfalto, e dentro dos carros de metal retorcido;
5 Alguns cujo parecer de sua destruição causaria depressão e asco naqueles que os vissem; dos quais, a alguns destes, chamas ainda os consumiam e neles perduravam.
6 Seu aspecto era como o de corpos dos inimigos do tráfico; o odor de carnes de porco assado em brasas
campeava pelas ruas.
7 E alguns dos que restaram vivos em meio a escombros andavam sem rumo; aturdidos cambaleavam pelas ruas.
8 Os cães, furiosos como jaguatiricas, perambulavam pelas vias, alamedas, pelas calçadas;
9 mordiam a qualquer que se movesse, e assim quando ao menor barulho, e mesmo entre si.
10 O sol ainda não voltara; entretanto, uma luz morna do alto iluminava parcamente.
11 Não havia energia elétrica na cidade depois do cataclisma, do grande, na qual o fogo do céu lambera o cobre juntamente com o plástico e com os artefatos de suporte;
12 e, dos metais, uma parte se derretera, e outra parte se deteriorara.

2019-05-11

Os jardins suspensos


ABSINTO III

POR AQUELES DIAS Justine saía para os campos; sim, nos dias após o cataclisma, nos quais havia o pão que do céu descia.
2 Estava ela acompanhada de um de seus irmãos, o valente Fab, e de sua gêmea Caroline, e trazia consigo em seu colo a Beatorič.
3 E alongaram-se ela e sua gêmea Caroline para a campina, para os jardins suspensos de YAOHU que seu pai erguera em homenagem à mãe, junto à montanha dos rochedos.
4 Seu irmão, porém, permanecera na colina e contemplava a ambas enquanto se afastavam.
5 E vieram, caminho de uns três quilômetros pela campina, por entre os vales eivados de pedaços do domo à margem.
6 Vinham ela e a criança em seu colo, trazendo um cesto de vime, e Caroline trazia um par de cestos de vime;
7 e estes cestos, e mais alguns outros, eram os que Laura havia confeccionado.
8 E a criança estava assim: envolta em panos e agasalhos, num tipo de bolsa de pano com tiras de couro firmemente atadas ao corpo de Justine, como a bolsa das mamães canguru.
9 E cada uma delas pôs-se a recoher os flocos brancos que encontravam, e uma ou outra fruta, caída ou ainda no pé.
10 E Caroline fora pelo caminho plano; porém, Justine seguia pelo caminho dos jardins, e subiu ela pelos degraus dos jardins.
11 Ao subir para a plataforma ornada de orquídeas, petúnias e dentes-de-leão, avistou diante de si o vasto campo de lírios-aranha, os quais resplandeciam em beleza perante o sombrio luzir do céu.
12 E ao longe se via, através das fendas do céu, outros céus de mundos vizinhos [ou paralelos].
13 E extasiada em sua visão das maravilhas diante dos olhos, de YAOHU veio esta inspiração à menina, que assim pronunciou:
14 Grandes são as tuas obras, ó YAOHU, o Todo Poderoso; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações.
15 Quem não te temerá? E quem não haverá de bendizer ao teu nome? Pois só o teu nome é santo, e todas as nações virão a ti e se prostrarão, pois teus atos de justiça se fizeram manifestos;
16 Pois abateste as cidades pecadoras, e transtornaste a rotina das cidades de transgressão.
17 As metrópoles ficaram destruídas, e destroços de prédios certamente se encontram por toda parte.
18 E desfizeste as obras de Vicel, e dos controladores de Darwin;
19 E puseste abaixo os insetos voadores de Vicel, os quais tinham canhões e com os quais atiravam;
20 E desfizeste a tecnologia e a magia da omnipresença dos cabeças de Vicel, e da polícia das cidades da China;
21 por meio das quais ao povo oprimiam, e os quais mantiveram o povo sob jugo severo;
22 pois até as traições eram incentivadas: pois cada qual dedurava aos governos o seu vizinho, e o seu parente, e o amigo, e o irmão, e isto em troca de generosas migalhas.
23 Que é o dinheiro, pois, se não migalhas? E o que serão as moedas de ouro e prata?
24 Pois por muitas que sejam, nunca satisfarão àqueles que as amam; e pela cobiça farão grandes e escandalosas cousas.
25 Por elas matar-se-ão uns aos outros, e por elas se odiarão com desprezo, ainda que seja isto entre os duma mesma casa.
26 Assim respondeu Justine a um urge que lhe surgiu, e a um fogo que apareceu dentro de si, quando viu os céus malhados, ainda que pelo reflexo dos olhos da criança em seu seio.

2019-04-22

Os Onze Dias



ABSINTO II

HOUVE um homem em Chednacia que teve dezessete filhas.
2 O nome da primeira era Laura; o da segunda, Valentina;
3 À terceira dera o nome de Helga; e à quarta, chamaram-na Clarisse.
4 E a quinta era Márcia, e a sexta, Juliana;
5 E a sétima, Jéssica; e a oitava, Letícia.
6 E depois lhe vieram Priscila Marta e Leocádia, Aline e Mara Alice,
7 Mirian e Elisabete, Caroline e Justine;
8 Por derradeira, viera-lhe Beatrice.
9 Teve este homem também oito varões, os quais lhe geriam os negócios nos dias de outrora.
10 E os seus nomes eram Marcos e Lupércio, Elias e João Lucas, Amós e Josias, Fábio e Natanael.
11 E as suas filhas vigiavam a casa e os seus arredores, depois do cataclisma celeste.
12 Deste, do qual se haviam abrigado todos eles, nas gargantas dum rochedo, sem ver o que lá fora se passava nos dias de fúria do céu,
13 os quais dizimaram os soldados voadores, e as grandes moscas que nos cidadãos revoltosos atiravam.
14 Estas moscas de metal tinham em si canhões e com eles faziam dano.
15 Por um tempo, os governos as manobravam, até que um principado usurpou-lhes o comando e entregou aos seus comandados o controle do enxame, e por meio deste dizimaram inúmeros homens.
16 Seus olhos não poupavam viúvas nem órfãos, meninas nem velhos, e nem mesmo as crianças de colo.
17 Um tal Vicel, governante da área na qual Junercio dantes habitava, mandara trazer duma terra distante uma destas moscas.
18 Da terra das cordas azuis, e dos pendentes de pano azuis e brancos; isto é, da terra onde se dera a Paixão da morte, e na qual se fizera presente nossa verdadeira Páscoa.
19 Quando, pois, estas moscas ameaçavam a vida em toda a terra, o plasma surgiu.
20 Veio este a derramar-se em profusão, e com ela grandes chuvas e pedras do céu.
21 E destruíram a estas moscas, e à base de comando que lhes emitia ordens.
22 E, depois deste tempo, houve uma grande fome, até que a relva de novo brotasse.
23 E o dia, então, nasceu, desprovido de seu sol, e não havia poente.
24 E depois da saraiva, fez-se um breve silêncio ensurdecido.
25 No dia seguinte, relva brotava com vigor, quando a fúria passara.
26 E Justine saíra aos campos a achar comida, quando encontrou neve sobre a relva, como pequenas bolinhas de algodão; e, tendo sede, provou-a.
27 E viu que era doce como o mel, e suave como o mel dos favos.
28 Levou, pois, alguma porção aos seus irmãos, os quais dele também provaram, vendo que sabia como pães de mel.
29 E o seu pai lhe perguntou: Filha, onde achaste isto?
30 Pelo que lhe respondeu a jovem: Está lá nos campos verdes, não muito longe; vem e vê.
31 E ele foi, e viu, e testemunhou o acontecido.
32 Finalmente, saíram eles da caverna, e eis que haviam inumeras pedras pelo chão, como de vidro, como dum vaso de vidro que, derribado ao chão, estilhaçara-se.
33 E no meio das pedras, no solo abrasado, crescia uma relva; e sobre esta havia estes flocos como de algodão, brancos como a neve.
34 Eles, pois, delas tomaram, e comeram, e assim mataram a fome.
35 E foi-lhes aquela neve por comida, todos os dias, até que a primeira colheita alcançaram de seus campos.
36 E um rio se-lhes nasceu, águas que brotavam da rocha, e este foi chamado Nalva.
37 Esta era a casa de Barečesia, nascida por entre as cinzas da labareda celeste.

2019-04-10

O grande edifício da humanidade


ABSINTO I

EIS UM PRÉDIO muito grande, muito amplo e com muitos andares, vários ambientes e salões, construído há mais de cinco mil anos.
2 Algumas partes, como a fachada frontal, saguão de entrada e alguns ambientes aparentam serem novos, embora grande parte da estrutura esteja seriamente comprometida.
3 Grande parte do prédio há muito não é pintada, nem conhece tinta.
4 Em muitos quartos há umidade e infiltração, e até alguns fios expostos.
5 Pelo que parece, um tremendo desleixo e irresponsabilidade da parte do síndico em não providenciar os devidos reparos elétricos. Não chamam nem mera consultoria da área.
6 Nas partes de padrão mais baixo, partes do reboco caem do teto e paredes devido a vazamentos e goteira, entretanto, ninguém parece dar a mínima; já se acostumaram com a miséria moral.
7 Lembrai a estrutura deste grande prédio velho, a qual já por demais comprometida.
8 Haverá chance para salvar esse prédio? E o que será necessário para fazê-lo?
9 O que você faria? Tentaria refazer o reboco? Tentaria reforçar a estrutura?
10 Pintá-lo-ia novamente? Pintá-lo-ia de uma cor diferente?
11 Arrancaria, simplesmente, pisos e azulejos, para aplicar novo revestimento? Refaria os contrapisos?
12 Impermeabilizaria os tetos? Quebraria paredes e trocaria o encanamento?
13 Tiraria da parede a fiação defeituosa? Removeria as velhas tomadas e as trocaria por novas?
14 Refaria os quadros de distribuição, isto é, a chave geral de cada apartamento, e instalaria equipamentos de proteção?
15 Colocaria lâmpadas mais duráveis e econômicas? Trocaria o gás encanado por chuveiros elétricos?
16 Retiraria os vasos com terra morta, com o resto de plantas secas, mortas há muito? Colocaria novas plantas em novos vasos no mesmo velho lugar?
17 Mesmo que a estrutura seja reforçada, nada há melhor do que algo novo do princípio ao fim, isto é, da fundação ao teto.
18 E, em breve, este prédio, carregado de desleixo e desatenção, colapsará.
19 Num momento, num abrir e fechar de olhos, sem chance de escapatória para quem nele se enconrrar ao tempo do terrível instante.
20 E os escombros que, porventura, restarem, servirão de abrigo por um breve tempo, para os poucos restantes.
21 Até que venha o tempo em que será demolido; com bombas será implodido, e com cataclismo em pó se desfará.
22 Terremotos acometer-lhe-ão os alicerces; tão fortes serão os quebradores, aos quais não poderão suportar.
23 Grandes ondas e vagas se assenhorearão de suas vigas, e suas estruturas pela massa das águas serão levadas.
24 E não se achará mais o seu lugar, senão um canto mais limpo, propício à agricultura e ao pastoreio.
25 E ali em paz habitará o teu povo: sim, meu Senhor, o Criador dos céus e da terra, entre os que escaparem das garras da besta e do sumo ditador das ordens ocultas; sim, daqueles que houverem sido preservados do dano das guerras e cataclismos.
26 Justine e Caroline, atentai a isto, e tu, ó Vento, toma nota para as gerações do porvir.
27 Em memória de Linus Pauling e de David Wilkerson, bem como de todos os que temem a Javé, os que se prostram diante do Eterno. Paz vos seja multiplicada.


2019-03-18

Verdades e Mentiras



São muitas perguntas, pouquíssimas respostas
Em qual verdade ou mentira você vai acreditar?
Eu sei lá...
É que às vezes ficamos parados, chapados, hipnotizados
São teorias, são conspirações
Intrigas e complicações
Disseram que a terra é plana
E você ainda reclama...
Que tal levantar da cama?
Aonde é que vamos parar?
Acho que “pra” argumentar,
precisamos pesquisar, saber, fazer valer
Precisamos ir mais longe
Porque nos limitaram, nos afastaram da Criação
Ou você acha que não?
Aonde isso tudo já chegou, aonde vai chegar?
Em qual verdade ou mentira você vai acreditar?

Uuu-u-uuh, estão aqui pra aprender
Mas você precisa saber
Mas você precisa saber
Você precisa ver além de tudo o que imaginou

As pessoas ignoram o lógico
Parecem mais animais no zoológico
Preferem continuar no engano
Do que afrontar os tiranos
Tudo o que tinha no passado hoje mudou
Elas parecem muito com robôs
Guiadas pelas máquinas da tecnologia
Não sabem o que buscam em meio a magia
Magia ensinada pelos anjos caídos
Por mais que não saibam, eles “tão” envolvidos
Viveram nos céus, mas agora, não mais
Pois dominaram a terra e o mundo jaz
Se você não procurar, não vai achar
Aonde isso já chegou, aonde vai chegar?
Em qual verdade ou mentira você vai acreditar?
Olha lá!

Uuu-u-uuh, estão aqui pra aprender
Mas você precisa saber
Mas você precisa saber
Você precisa ver além de tudo o que imaginou

A nossa visão é limitada
Embora possamos contemplar a natureza
Que é uma beleza!
Quantas vezes ao olhar uma paisagem
Sentiu-se fora da realidade?
A terra está girando... Ops!
O oceano “tá” ali, reto e plano
A mente humana “tá” sendo enganada
Pior de tudo
Não podemos fazer nada,
é uma piada!
Será que é loucura ou alucinação
esses homens sem coração?
São tantos segredos que às vezes temos medo
Será que Deus “ta” vendo?
Perdemos muito tempo
Não há nada oculto que não venha revelar
Só “pra” lembrar:
Aonde isso tudo chegou, aonde vai chegar?
Em qual verdade ou mentira você vai acreditar?

Uuu-u-uuh, estão aqui pra aprender
Mas você precisa saber
Mas você precisa saber
Você precisa ver além de tudo o que imaginou

Uuu-u-uuh, estão aqui pra aprender
Mas você precisa saber
Mas você precisa saber
Você precisa ver além de tudo o que imaginou


2019-03-04

Mary and The Witch's Flower


Mary and The Witch's Flower (Jušuk: Mary i Sorciapolano Bana, Japanese: メアリと魔女の花 Hepburn: Meari to Majo no Hana) da 2017 Nihondi fantesiai anime, Hiromasa Yonebayashi-ker reziša, Yoshiaki Nishimura-kar producia, Ponoc Studio-kar animacia, Nihon-ni Toho-kar distribuce.

Ha filmo da «The Little Broomstick» (Ha Kiš Šepirtika) kenje, Mary Stewart-kar, kaj da ha Mary Smith-no konto, se ko ğ «fly-by-night» (jorni-hišo) banat auj, se bana da fušigina, sese ko nekje maet na adaj, ha ze bir jorni ğ sorciapolat lessadano mae.

2019-02-12

Seja fria no amar, cruel no rogo

Vejamos:


"Seja fria no amar, cruel no rôgo,
fria, se é toda jaspe, e toda neve,
cruel, se é toda sangue, e toda fogo."

(Jerônimo Baía. In: A Fênix Renascida ou obras dos melhores engenhos portugueses. Lisboa: Off. Antonio Pedrozo Galram, 1746, tomo III, p. 217 e p.219. Citado por Maria do Socorro Fernandes de Carvalho In: Poesia de Agudeza em Portugal: Estudo retórico da poesia lírica e satírica escrita em Portugal no Século XVII. São Paulo: Humanitas Editorial; Edusp, Fapesp, 2007. Trecho disponível em: https://books.google.com.br/books?id=1lGDk5pYriIC&pg=PA252&lpg=PA252 . Acesso 12/02/2009). 

2019-02-07

The Copula at Its Imperative Forms


As said earlier, the copula da is a fundamental particle which performs some of the functions usually performed by the verb to be and its forms, the link between the subject and its predicate.

So let us focus at the imperative part, done by the form ba and its related forms as you can see below:

Tense/
Mode
No-pastPastNo-past
(with emphasis on future)
Affirm.Neg.Affirm.Neg.Affirm.Neg.
Factualdamu /
ne
derimu deri /
ne deri
darahmu darah /
ne darah
Desiderative/
Potential
namu na/
ne na
nerimu neri/
ne neri
narahmu narah/
ne narah
Imperativebamu ba/
ne ba
berimu beri/
ne beri
barahmu barah/
ne barah

The Imperative form embodied at this particle is possibly rhetoric at most, although it may be used also for practical ordenative as shown below:

§ Jad VIR ba.
→ "Be a MAN."

§ Jad gi ko ba.
→ "Be a good girl."

well... this must be enough for now (:

2019-01-18

The Copula at Its Potential Forms


As said earlier, the copula da is a fundamental particle which performs some of the functions usually performed by the verb to be and its forms, the link between the subject and its predicate.

So let us focus at the potential part, done by the form na which you can see below:

Tense/
Mode
No-pastPastNo-past
(with emphasis on future)
Affirm.Neg.Affirm.Neg.Affirm.Neg.
Factualdamu /
ne
derimu deri /
ne deri
darahmu darah /
ne darah
Desiderative/
Potential
namu na/
ne na
nerimu neri/
ne neri
narahmu narah/
ne narah
Imperativebamu ba/
ne ba
berimu beri/
ne beri
barahmu barah/
ne barah

Due to the potential form embodied, the particle na and its variations (the na-branch particles) aren't meant for declarations or statements. Instead, they are for assumptions, kinda things starting with "if it was..." or "if it could be...".

§ Carly Simon da leonor, de on neri aktor.
 → Carly Simon is singer, but she would be an actress.

§ Kapkek na levniai, kol narah legurmezotjaror. [1]
 → Cupcake can be cheaper, just degourmetize it.

These na-branch particles may be used for putting verbs into desiderative/potential forms.

Well, that's it for now (:
__________________________________________________
[1] lit. "just [it] should be degourmetized".


2019-01-12

The Copula and Its Various Forms



The copula da is a fundamental particle which performs some of the functions usually performed by the verb to be and its forms, the link between the subject and its predicate.

The copula da has several forms as shown below:

Tense/
Mode
No-past Past No-past
(with emphasis on future)
Affirm. Neg. Affirm. Neg. Affirm. Neg.
Factual da mu /
ne
deri mu deri /
ne deri
darah mu darah /
ne darah
Desiderative/
Potential
na mu na/
ne na
neri mu neri/
ne neri
narah mu narah/
ne narah
Imperative ba mu ba/
ne ba
beri mu beri/
ne beri
barah mu barah/
ne barah

Notice the alternative negation particle ne "not" and how it can be declined with the possession endings (nem, ned, nej, nenk, netek, nejuk), and some emphasis can be added in affirmatives by the particle ja (jam, jad, jaj, jank, jatok, jajuk) which is the alternative for the adverb da "yes"

Let's see some Latin sentences

§ alis grave nil.
"with wings nothing is heavy."
→ elto nul da gurai.

§ absens heres non est.
"the absent is not heir."
→ ha falteia mu lojunor.

§ actus simulatus nullius est momenti.
"the simulated deed has no value."
→ simulai ato da nuli atae.

§ vana est sine viribus ira.
"anger without strength is vain."
→ čikarale uračo da üresi.

well... this must be enough for now (:

2019-01-06

Early Mistakes - Capital Inicial: Through the Wordings

Let's make analysis on the Lyrics posted at Early Mistakes - Capital Inicial.





Original verseMeaningGrammar/Comments
Iranem da maiasaMy path is every morning-m "my..."
mai- "every" (time only)
Douni mi rot mu na šešijedDo not look for where I amro (relative clause)
Feitam mu minnanoMy fate is no one else's businessmu "is not"
minna "everyone"
-no "of"
Bumni žaromot mu lefsevijuMy walking leaves no footprints
Fi mu rozumejš, tun mu lajšIf you don't understand, don't see
Fi mett mu lajš, mett mu rozumejšIf you don't see me, you don't understand me
Douni mi rot mu na šešijedDo not look for where I am
Fi aleivosiam da maheradIf my attitude surprises you so much-m "my..."
-d "your..."
Fi ha telom narah biIf my body turned into sunnarah: (desiderative + future emphasis) form of da
Fi ha manom narah biIf my mind turned into sun
De kol amesoj, amesojBut it just rains, it rainsde "however"
Amesoj, amesojIt rains and rains
Fi ği jomni na ha miIf I could somedaynote the definite article used with the personal pronoun
Pan ašeremet na laketemSee every of my past momentspan "the whole (of)"
Amet na tomeketem kajAnd if I could stop the rain
Da, b rišon misra ni, biAt the early mistakes, Sun-n (standalone genitive)
-ra (plural)
Fi ha telom narah biIf my body turned into sun
Fi ha manom narah biIf my mind turned into sun
De kol amesoj, amesojBut it just rains, it rains
Amesoj, amesojIt rains and rains
Fi ği jomni na ha miIf I could someday
Pan ašeremet na laketemSee every of my past moments
Amet na tomeketem kajAnd if I could stop the rain
Da, b rišon misra ni, biAt the early mistakes, Sun
Fi ha telom narah biIf my body turned into sun
Fi ha manom narah biIf my mind turned into sun
De kol amesoj, amesojBut it just rains, it rains
Amesoj, amesojIt rains and rains
Fi ha telom narah biIf my body turned into sun
Fi ha manom narah alerIf my mind turned into air
De kol amesoj, amesojBut it just rains, it rains
Amesoj, amesojIt rains and rains
Fi ha telom narah biIf my body turned into sun
Fi ha manom narah biIf my mind turned into sun
De kol amesoj, amesojBut it just rains, it rains
Amesoj, amesojIt rains and rains

Well, it should be enough for now (: